El tiempo perdido

EL TIEMPO PERDIDO, María Álvarez

Domingo 15 de Agosto | 20.10h

Um clássico café de Buenos Aires é o espaço para um encontro peculiar que se dá há vários anos. Um grupo de pessoas da terceira idade reúnem-se de forma metódica, congregados por uma obsessão em comum: ler e discutir Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust. Com a sua sempre afectuosa atenção e delicado olhar, María Álvarez, realizadora do especialíssimo Las Cinéphilas (4º AR), consegue capturar neste documentário não só a beleza do acto da leitura em si, mas também algo profundamente humanista, como é o prazer de partilhar uma experiência sublime com o outro.

Realização María Álvarez. Argumento María Álvarez. Fotografia Tirso Díaz Jares Rueda, María Alvarez. Montagem María Álvarez. Som Sofía Straface. Interpretação Grupo de lectura de “En busca del tiempo perdido”, de Marcel Proust. Produção Tirso Díaz Jares Rueda, María Alvarez, Mariano Avellaneda. 2020. 102′

Qué será del verano copia

QUÉ SERÁ DEL VERANO, Ignacio Ceroi

Quinta-feira 12 de Agosto | 20.10h

Ignacio compra uma câmara digital em segunda mão para registar as férias e no seu interior encontra um cartão de memória esquecido carregado de imagens que se convertem no disparador de uma expedição rumo a uma intimidade desconhecida. Manifestações em Paris, viagens pela selva africana, os afectos de outro. Tudo pode conviver nas vidas paralelas, reais ou imaginárias, de este filme (Melhor Filme Argentino BAFICI 2021), com uma liberdade explosiva que vai em busca dessa semente ficcional guardada no coração de alguns registos documentais.

Realização Ignacio Ceroi. Argumento Ignacio Ceroi, Mariana Martinelli. Fotografia Ignacio Ceroi, Mariana Martinelli, Charles Louvet. Montagem Ignacio Ceroi, Hernán Rosselli. Som Hernán Biasotti. Interpretação Ignacio Ceroi, Mariana Martinelli, Charles Louvet. Produção Esquimal Cine, Un Puma. 2021. 85′

 

 

AR Playback

PLAYBACK – ENSAYO DE UNA DESPEDIDA, Agustina Comedi

Sábado 14 de Agosto | 20.10h

A resistência aos contextos repressivos pode tomar múltiplas formas, tanto através de ações públicas e coletivas, como nas mais privadas e domésticas. Neste seu último trabalho, uma espécie de continuação espiritual da primeira longa metragem, Comedi consegue que a força subversiva da experiência retratada no material de arquivo emerja. Nos números musicais daquele grupo integrado por gays e travestis, entre outras dissidências de género, o privado transformava-se em público, e o individual em coletivo. Subir ao palco era um acto tão artístico como profundamente político.

Realização Agustina Comedi. Argumento Agustina Comedi. Fotografia Magalí Mérida. Montagem Valeria Racioppi. Som Guido Deniro. Interpretação Marcos García La Delpi, Martín Shanly. Produção Magalí Mérida. 2019. 14′

 

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LA DEUDA, Gustavo Fontán

Quarta-feira 18 de Agosto | 20.10h

A escuridão envolve o rosto de Mónica enquanto procura dinheiro numa noite que parece não ter fim. Os seus gestos deixam ver que esta viagem não a faz pela primeira vez e que a dívida que tem para pagar vai para além de uma formalidade bancária. Esgotar as possibilidades também passa por provocar encontros que desafiam a vulnerabilidade da personagem através dos olhos perseverantes da actriz Belém Blanco. La Deuda lembra-nos que nas trevas mais profundas das relações humanas também existem clarões de amor que podem aparecer como a alva de um novo dia. 

Realização Gustavo Fontán. Argumento Gustavo Fontán, Gloria Peirano. Fotografia Diego Poleri. Montagem Mario Bocchicchio. Som Abel Tortorelli. Interpretação Belén Blanco, Marcelo Subiotto, Leonor Manso, Edgardo Castro, Walter Jakob, Andrea Garrote, Pablo Seijo. Produção Lita Stantic, Silvana Di Francesco. 2019. 74′

 

 

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EL BRAZO DEL WHATSAPP, Martín Farina

Domingo 15 de Agosto | 20.10h

Farina segue de perto um encontro entre velhos amigos que analisam e discutem, num compasso acelerado e bem regado, a importância que tem -ou não- pertencer ao seu grupo de WhatsApp, Los Machos, e quais as implicações na vida de cada um. Será que se pode expulsar um membro histórico que nunca responde? Um retrato contemporâneo que se pergunta como incorporar esta idiosincrasia a uma amizade com mais de 45 anos. 

Realização Martin Farina. Argumento Martin Farina. Fotografia Martin Farina. Montagem Martin Farina. Som Gabriel Santamaría. Interpretação Quique Mercadé Pisano, Gustavo Palese, Beto Farina, Juan José Castelli, Francis Vecchio, Gabriel Pérez Fioti, Jorge Balboa, Juan Heyeralde, Aroldo Malmsten. Produção Martin Farina, Mercedes Arias. 2019

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FAMILIA SUMERGIDA, María Alché

Sexta-feira 13 de Agosto | 20.10h

Enquanto a sua família vive num apartamento de um subúrbio de Buenos Aires onde as plantas compõem uma espécie de recife de corais, Marcela ocupa-se da vida que a sua irmã deixou ao morrer. A intimidade que desenvolve com o Nacho dá cor ao luto que vive com ilusão e mistério. Nesta primeira longa-metragem, Alché pinta com destreza o quotidiano familiar e destaca o seu epicentro: uma viagem íntima, feminina, aqui e ali, fantasmagórica. Por outro lado, reivindica formas de conhecimento descredibilizadas pela razão e, com um humor agudo, desafia a “honra” de certos afectos. 

Realização María Alché. Argumento María Alché. Fotografia Hélène Louvart. Montagem Livia Serpa. Som Julia Huberman. Interpretação Mercedes Morán, Esteban Bigliardi, Marcelo Subiotto, Ia Arteta, Laila Maltz, Federico Sack. Produção Bárbara Francisco. 2018. 91′

 

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FIN DE SIGLO, Lucio Castro

Terça-feira 17 de Agosto | 20.10h

Chegar a uma estação, andar pelas ruas, entrar num apartamento alugado temporariamente, abrir o frigorífico. O quotidiano marca o compasso deste filme. As premissas iniciais são concretas, horizonte urbano, cruising na praia. Eventualmente a coisa complica-se: o presente leva-nos ao passado em forma de memória perdida e cobrada, e um sonho inquieta-nos num desejo. O passado e o futuro compõem o tempo presente, nostalgias e desejos habitam paralelamente os corpos e mentes destes dois homens, as suas forças e as experiências. Que voltam a encontrar-se. Para voltar a sonhar. 

Realização Lucio Castro. Argumento Lucio Castro. Fotografia Bernat Mestres. Montagem Lucio Castro. Som Robert Lombardo. Interpretação Juan Barberini, Ramón Pujol, Mía Maestro. Produção Joanne Lee. 2019. 84′

 

 

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EL SILENCIO ES UN CUERPO QUE CAE, Agustina Comedi

Sábado 14 de Agosto | 20.10h

Comedi atravessa os filmes caseiros do seu pai Jaime e vai confiando nos espaços que a pausa, a suspensão e a repetição podem abrir. Com arte e manha tece os fragmentos de cenas familiares com as conversas que ela vai tendo com afetos do passado do Jaime. Os medos, as alegrias de viver e os desejos sexuais durante os anos 80 na Argentina pontuam este encontro entre duas gerações com lutas ainda urgentes. O filme cria zonas de contacto que lhe fazem frente ao silêncio e abraçam com força o que transcende as palavras

Realização Agustina Comedi. Argumento Agustina Comedi. Fotografia Agustina Comedi, Ezequiel Salinas, Benjamín Ellenberger. Montagem Valeria Racioppi. Som Guido Deniro. Produção Ana Apontes, Matias Herrera Córdoba, Juan C. Maristany. 2017. 72′

 

 

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BLUE BOY, Manuel Abramovich

Terça-feira 17 de Agosto | 20.10h

Um bar vazio em Berlim, uma equipa de rodagem pequena, um realizador explorador de universos, um grupo de jovens que vivem da prostituição, todos romenos, que um dia decidiram emigrar do seu país para melhorar de vida. Olham, delicada e fragilmente, para a câmara enquanto ouvem as suas próprias vozes, histórias e flirts. Os seus rostos, olhos, respiração, sorriso, que vai e vem, deixam ver os matizes que compõem estas vidas. Um potente retrato em movimento destas “ferramentas com coração” que vivem nas margens dos quotidianos dos grandes centros urbanos. 

Realização Manuel Abramovich. Argumento Manuel Abramovich. Fotografia Manuel Abramovich. Montagem Cătălin Cristuțiu. Som Francisco Pedemonte. Interpretação Florin, Michel, Razvan, Stefan, Mihail, Marius, Rafael, Roberto. Produção Manuel Abramovich. 2019. 19′

 

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ÁNIMA BUENOS AIRES, María Verónica Ramírez

Sábado 14 de Agosto | 13.50h

Um bandoneón lança notas no ar e o seu som evoca de maneira tão misteriosa como inequívoca a cidade de Buenos Aires. Uma verdadeira seleção de autores de banda desenhada e de animação argentinos tecem este retrato coral acompanhados pela música de Rodolfo Medeiros. Ánima Buenos Aires é uma viagem poética e profundamente autoral pela idiosincrasia rioplatense, as suas ruas, as suas personagens e a sua História. Com um humor que não distingue idades e uma combinação de técnicas que vai desde a animação tradicional em 2D, à foto-montagem de stencils, trata-se de um conjunto de curtas cheias de virtuosismo e beleza. 

Realização María Verónica Ramírez. Argumento M. Rulloni, J.P. Zaramella, F. Faivre, P. Faivre, P. Rodríguez Jáuregui, C. Nine, L. Nine, Caloi, M.V. Ramírez. Fotografia Sergio Piñeyro. Montagem Pablo Margiotta, Non Stop. Som Stavros Sound Digital. Produção CT Producciones. 2011. 95′ 

 

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LAS BUENAS INTENCIONES, Ana García Blaya

Segunda-feira 16 de Agosto | 20.10h

Se o primeiro filme de uma filmografia é ao mesmo tempo apresentação e declaração de princípios, este trabalho de García Blaya mata dois coelhos de uma cajadada só. Aproveitando como matéria prima a sua própria infância –a separação dos seus pais e uma mudança de país- constrói não só um comovedor retrato familiar, mas também a radiografia de uma sociedade moldada pelas crises económicas e pelas suas paixões populares. A realizadora une ficção com material de arquivo caseiro e consegue o milagre característico daqueles relatos íntimos especiais: ser universal. 

Realização Ana García Blaya. Argumento Ana García Blaya. Fotografia Yarará Rodríguez. Montagem Rosario Suárez, Joaquín Elizalde. Som Martín García Blaya. Interpretação Javier Drolas, Amanda Minujín, Jazmín Stuart, Juan Minujín. Produção Juana García Blaya, Joaquín Marqués, Juan Pablo Miller. 2019. 86′

 

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SUQUÍA, Ezequiel Salinas

Sexta-feira 13 de Agosto | 20.10h

O Suquía é um rio que atravessa a cidade de Córdoba e que a foi vendo crecer nas suas margens durante anos e anos de pouco cuidado e apreço. E, tal como outros grandes rios que pintam frescos urbanos, também este tem muito para contar sobre os seus habitantes, que usam e abusam dele. O que não deixa de ser também muito para contar sobre a falta de respeito pela natureza, um bem nosso de cada dia ainda invisível nalguns lugares.

Realização Ezequiel Salinas. Argumento Ezequiel Salinas. Fotografia Ezequiel Salinas, Juan Bianchini. Montagem Martín Sappia. Som Federico Disandro. Produção Eva Cáceres. 2019. 14′

 

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BICICLETAS, Cecilia Kang

Segunda-feira 16 de Agosto | 20.10h

Lila e Cándido vivem juntos. Ela é realizadora, trabalha em casa, está a tentar escrever uma história sem grande inspiração. Ele trabalha fora e um dia, depois de uma peripécia, regressa com um cadeado novo para a bicicleta que lhe foi oferecido por uma rapariga bonita. Kang desenha uma elegia concisa e afiada ao ciúme e, com recursos engraçados e fantasiosos, presta uma homenagem ao amor que resiste ao quotidiano e ao passar do tempo

Realização Cecilia Kang. Argumento Cecilia Kang. Fotografia Federico Lastra. Montagem Julia Straface. Som Francisco Pedemonte. Interpretação Delfina Peydro, Esteban Bigliardi. Produção María Soledad Laici, Cecilia Kang. 2018. 27′

 

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YO MATÉ A ANTOINE DOINEL, Nicolás Prividera

Quinta-feira 12 de Agosto | 20.10h

Se a cinefilia pudesse ter só uma cara, essa seria francófila e, sem dúvida, esta cara teria o nariz arrebitado, os olhos esbugalhados e os dois tufos soltos de nada mais e nada menos que de Antoine Doinel. Uma personagem ressonante que habita o seu próprio actor Jean Pierre Leaud, personagem que sobrevive aos filmes e sagas de Truffaut, Godard e Eustache. Atrever-se-á o realizador desta curta-metragem a sepultar este fenómeno da Nouvelle Vague? 

Realização Nicolás Prividera. Argumento Nicolás Prividera. Fotografia Hernán Rosselli. Montagem Pablo Ratto. Produção Pablo Ratto. 2019. 9′

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EL PATALARGA, Mercedes Moreira

Domingo 15 de Agosto | 13.50h

Depois de almoçar, quando as tardes quentes e calmas vão chegando, as aldeias entregam-se a um desses prazeres milenários: a siesta. Só os miúdos, com as suas brincadeiras e gritarias, poderiam interromper este momento de paz. Mas uma criatura assustadora encarrega-se de os impedir, o Patalarga. Esta primeira obra de Mercedes Moreira conta a aventura de três amigos, Teto, Maru e Ramón, que um dia decidem ser valentes e lutar pela verdade. Uma história encantadora, genuína e nobre, realizada em “cut out” (figuras em papel e imagens fotografadas de cima e montadas), que reflete o panorama rico e em inquieta expansão do cinema de animação argentino. 

Realização Mercedes Moreira. Argumento Edi Roca. Fotografia Joaquín Zelaya Sánchez. Montagem Juan Barragán. Som Eric Kuschevatsky. Interpretação Favio Posca, Peto Menahem, Ines Efrón, Charo López, Azul Fernández, Julián Lucero, Tamara Kipper. Produção Eucalyptus. 2019. 70′

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HOMBRE BAJO LA LLUVIA, María Aparicio

Quarta-feira 18 de Agosto | 20.10h

Poderá o homem superar a seleção natural das espécies? Digamos que sim, sobretudo se falamos da nossa própria espécie humana. Constantemente competimos, descartamos, julgamos e adoramos sentir-nos e mostrar-nos com poder, especialmente quando este nos é atribuído. Como é que podemos pôr à prova uma sociedade na qual não encaixamos? Abandonar e caminhar debaixo da chuva, simplesmente ir embora, não deixa nunca de ser uma opção de sobrevivência. 

Realização María Aparicio. Argumento María Aparicio, Nicolás Abello, Emanuel Díaz. Fotografia Santiago Sgarlatta. Montagem María Aparicio Som Juan Manuel Yeri. Interpretação Pablo Limarzi, Leni Álvarez Ramos, Florencia Oviedo. Produção Eva Cáceres. 2018. 12′

 

 

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