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PRIMERO ENERO, Darío Mascambroni

Ficção, 2016, 65’
Sáb 8 Julho – 18h Sala 3 Cinema São Jorge

Primero Enero é a primeira longa-metragem deste jovem realizador de Córdoba, uma província cinéfila por excelência, que tem originado alguns dos mais interessantes filmes do novo cinema argentino. Um pai, que acaba de separar-se, viaja com o seu pequeno filho até à casa de campo da família, recentemente posta à venda, para que passem uns dias juntos. Cada passeio e atividade, desde tomar banho no rio a improvisar uma piza, toma a dimensão de uma odisseia espontânea filmada com delicadeza, ternura e humor. Uma espécie de doce melancolia marca o tom, o ritmo é acentuado por um subtil mas firme pulso narrativo. Planos cheios de ar e uma paisagem bucólica compõem esta história simples, maturada, sobre primeiras e, infelizmente, últimas vezes.

> Berlinale 2016

Realização Darío Mascambroni — Argumento Darío Mascambroni — Fotografia Nadir Medina — Montagem Lucía Torres Som Federico Disandro — Interpretação Valentino Rossi, Jorge Rossi, Eva Torres — Produção Yanina Moyano, Darío Mascambroni, Cine El Calefón.

 

 

 

 

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EL REY DEL ONCE, Daniel Burman

Ficção, 2015, 81’
Dom 9 Julho – 20h Sala 3 Cinema São Jorge

Burman é um realizador que regressou várias vezes à relação pai e filho e ao bairro mais comercial de Buenos Aires, Once, onde reside e trabalha a maior parte da comunidade judaica ortodoxa da Argentina. Usher é pai de Ariel, dirige um negócio que vende desde carne kosher a ansiolíticos, e será o homem orquestra fora de campo. Ariel é um economista que viaja de Nova Iorque, cidade onde vive, e será o peão errante que lidera esta inspirada comédia existencial. El Rey del Once é um passeio ágil pelas ruas do bairro e pelos seus personagens, é uma reflexão talentosa e cheia de esquinas sobre a beneficência e as suas contradições, sobre o lado b dos vínculos familiares, das tradições religiosas e, eventualmente, amorosas. É uma pincelada afiada no meio de um painel urbano.

> Berlinale 2016

Realização Daniel Burman — Argumento Daniel Burman — Fotografia Daniel Ortega — Montagem Andrés Tambornino — Som Catriel Vildosola — Interpretação Alan Sabbagh, Julieta Zylberberg, Norman Briski — Produção Diego Dubcovsky, Bárbara Francisco, Alejandro Gorodisch, Alfredo Odorisio, Axel Kuschevatzky, Delfina Chavarri, BDCine, Pasto Cine.

 

 

 

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LA IDEA DE UN LAGO, Milagros Mumenthaler

Adaptação de Pozo de Aire de Guadalupe Gaona

Ficção, 2016, 82’
3ª f. 4 Julho – 19h Biblioteca de Marvila
5ª f. 6 Julho – 22h Sala 3 Cinema São Jorge

La idea de un Lago surge a partir de um livro de fotografias e poemas de Guadalupe Gaona cujo centro é a ausência do seu pai, “desaparecido” durante a ditadura cívico-militar argentina em 1976. Segundo conta Mumenthaler, soube, desde o início, que o filme teria dois pilares, o documental e a memória. Inês está grávida do seu primeiro filho e tenta terminar um livro de fotografias e poemas sobre o seu pai. Flashbacks cheios de cor na casa familiar de Villa La Angostura, na exuberante Patagónia, alternam com a austeridade e delicadeza do olhar da realizadora que mede, com engenho e sensibilidade, o que mostrar e o que esconder. O grão dos velhos home-movies em Super 8, a mãe, o Renault 4 verde e os New Order conservam este filme como uma cápsula profunda e encantadora.

> Locarno 2016

Realização Milagros Mumenthaler — Argumento Milagros Mumenthaler — Fotografia Gabriel Sandru — Montagem Gion-Reto Killias — Som Henri Maikoff — Interpretação Carla Crespo, Rosario Bléfari, Malena Moirón, Juan Bautista Greppi, Juan Barberini, Joaquín Pok — Produção Violeta Bava, David Epiney, Rosa Martinez Rivero, Ruda Cine, Alina Film.

 

 

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LA LARGA NOCHE DE FRANCISCO SANCTIS, Andrea Testa, Francisco Márquez

Adaptação de La Larga Noche de Francisco Sanctis de Humberto Constantini

Ficção, 2016, 76’
2ª f. 3 Julho – 19h Biblioteca de Marvila
Sáb 8 Julho – 22h Sala 3 Cinema São Jorge

Trinta e dois anos depois da publicação na Argentina deste romance, só um ano depois do fim da ditadura cívico-militar, este primeiro trabalho de Testa e Márquez transcende a moldura e o alcance político da obra homónima de Constantini para construir uma poética de ritmo agudo e planos fechados. O filme acontece todo numa (longa) noite e centra-se num personagem, Francisco, que recebe um telefonema de uma ex-colega da Universidade. A tensa Buenos Aires dos anos 70 pauta os climas e a contenção emocional. Os realizadores, na sua primeira longa-metragem, deixam fora de campo, latentes, as explicações redundantes e os militares. E, como nos grandes filmes, os recortes, ações e hesitações roubam o lugar às palavras.

> Cannes 2016

Realização Andrea Testa, Francisco Márquez — Argumento Andrea Testa, Francisco Márquez — Fotografia Federico Lastra — Montagem Lorena Moriconi — Som Abel Tortorelli — Interpretação Diego Velázquez, Laura Paredes, Valeria Lois, Marcelo Subiotto, Rafael Federman — Produção Luciana Piantanida, Pensar con las Manos.

 

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HERMIA & HELENA, Matías Piñeiro

Adaptação de Sonho de uma Noite de Verão de William Shakespeare

Ficção, 2016, 87’
6ª f. 30 Junho – 20.30h Biblioteca de Marvila (filme de abertura)
6ª f. 7 Julho – 22h Sala 3 Cinema São Jorge

Nesta quarta adaptação de Shakespeare, parte do projeto que o próprio Matías Piñeiro denomina Las Shakespereadas (La Princesa de Francia, 1ª edição de AR – 2015), a proposta convida a um vaivém, entre Nova Iorque e Buenos Aires, pejado de enredos e peripécias tendo como pano de fundo essa inesgotável tela que são as relações humanas. Camila, uma jovem encenadora e o eixo desta história, viaja graças a uma bolsa que lhe permite trabalhar no seu novo projeto, a tradução para castelhano de Sonho de Uma Noite de Verão. Alguns desvios, a neve, incertezas aqui e ali, cartas, postais, arquivos, inesperados encontros e o sempre brilhante olhar de Fernando Lockett na fotografia, afinam as agulhas dramáticas do último trabalho deste prolífico realizador.

> Locarno 2016

Realização Matías Piñeiro — Argumento Matías Piñeiro — Fotografia Fernando Lockett, Tommy Davis — Montagem Sebastián Schjaer — Som Mercedes Tennina — Interpretação Agustina Muñoz, María Villar, Mati Diop, Julian Larquier, Keith Poulson, Dan Sallitt, Laura Paredes, Dustin Guy Defa, Gabi Saidon, Romina Paula — Produção Melanie Schapiro, Graham Swon, Trapecio Cine, Ravenser Odd.

 

 

 

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ARCHIVOS INTERVENIDOS, Vários realizadores

Curtas-metragens, 2016, 5’

Depois de Sucesos Intervenidos (1ª edição de AR, 2015), o Museu do Cinema de Buenos Aires apresenta o segundo trabalho realizado com material de arquivo e volta a chamar a atenção para a necessidade de criar uma cinemateca destinada à conservação do património fílmico. Dezassete destacados realizadores argentinos foram convidados para trabalhar a partir de Cine Escuela, um projeto criado em 1948 pela Secretaria de Educação Argentina durante o primeiro governo de Juan Domingo Perón. Este promovia “o uso do cinema como auxiliar didático e complementar ao trabalho educacional e cultural, principalmente no exaltar do patriotismo, da moral e dos múltiplos deveres civis, grandes e pequenos”. Nesta oportunidade, foram selecionadas cinco curtas-metragens inventivas e apuradas, cinco dos olhares mais engenhosos do atual panorama cinematográfico argentino. Serão exibidas antes das longas-metragens da secção Panorama no Cinema São Jorge.

> Vienalle 2016

CURTAS E REALIZADORES Melancolía de Albertina Carri; Un cuento de Navidad de Hernan Rosselli; Invierno 3025 de María Alché e Juan Pablo Menchón; Gregg de Matías Piñeiro; El día que pudo ser de Santiago Loza e Lorena Moriconi — Conceito Paula Félix-Didier — Produção Geral Eloísa Solaas e Francisco Lezama – Museu del Cine Pablo Ducrós Hicken.

 

 

 

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KÉKSZAKÁLLÚ, Gastón Solnicki

Adaptação do O Castelo Barba Azul de Béla Bartok

Ficção, 2016, 72’
Sáb 1 Julho – 19h Biblioteca de Marvila
Sáb 8 Julho – 20h Sala 3 Cinema São Jorge

Inspirado na atmosfera musical e política de O Castelo do Barba Azul (em húngaro Kékszakállú) de Bartok, o filme começa por seguir um grupo de adolescentes que passam os seus verões em Punta del Este, uma zona balneária situada na costa do Uruguai, frequentada pela classe alta argentina. Haverá, a certa altura, como contraponto, um deambular por vários universos em Buenos Aires, guiada por um olhar feminino, Laila, mas o protagonista deste filme é coral, é a noção de espaço e de como cada plano é orquestrado como o lugar onde habitam os personagens. A acumulação e dispersão acentuam a narrativa fragmentada, organizada numa ordem social e geracional. Solnicki entrega-nos um filme composto habilmente e pontuado pela extraordinária fotografia da dupla Lockett e Poleri.

> Veneza 2016

Realização Gastón Solnicki — Fotografia Diego Poleri, Fernando Lockett — Montagem Alan Segal, Francisco D’Eufemia — Som Jason Candler — Interpretação Laila Maltz, Katia Szechtman, Lara Tarlowski, Natali Maltz, María Soldi, Pedro Trocca, Denise Groesman — Produção Iván Eibuszyc, Gastón Solnicki, Filmy Wiktora, Frutacine.

 

 

 

 

 

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EL FUTURO PERFECTO, Nele Wholatz

Documentário, 2016, 65’
5ª f. 6 Julho – 20h Sala 3 Cinema São Jorge

Xiaobin é uma chinesa de 17 anos que viaja para Buenos Aires sem saber dizer uma palavra de castelhano. O objetivo é viver com a sua família, que pertence à comunidade asiática (des)integrada na sociedade argentina, que se dedica a lavandarias e supermercados. Começa a estudar o idioma e a perceber como contradizer esta espécie de “presente pouco perfeito” que vive. Entendo as escolas de castelhano para estrangeiros como uma sala de ensaio para uma nova identidade, diz a realizadora, que constrói, junto à protagonista, uma espécie de mise-en-abyme da sua própria vida. Uma estrutura narrativa que acentua a solidão e audácia da personagem e uma cidade pouco pitoresca dão vida a este olhar agridoce conjugado no condicional.

> Rotterdam 2016

Realização Nele Wholatz — Argumento Nele Wholatz — Fotografia Roman Kasseroller, Agustina San Martín — Montagem Ana Godoy — Som Nahuel Palenque — Interpretação Xiaobin Zhang, Saroj Kumar Malik, Mian Jiang, Dong Xi Wang, Nahuel Pérez Biscayart — Produção Cecilia Salim, Nele Wohlatz, Murillo Cine.

 

 

 

 

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LA CUMP4RSIT4, Raúl Perrone

Ficção, 2016, 77’
Dom 9 Julho – 22h Sala 3 Cinema São Jorge

La Cumparsita é o título de um dos mais conhecidos tangos, mas que não se espere ouvir um bandoneón ou ter alguma reminiscência porteña porque estamos longe, mais precisamente, a anos luz. Perrone é um esteta, mais que um saudosista, é o único realizador argentino a trabalhar o cinema experimental como uma zona fértil, onde a narrativa se cultiva numa espécie de cinema mudo do séc. XXI. Este filme é um ensaio visual, uma experiência. Cabe tudo e cabe muito, à justa. Trata-se da luta de um grupo de camponeses contra um proprietário de terras obcecado por eles. Um jogo de temas e conflitos clássicos revisitados pela estrutura, um delirante e autêntico composé impróprio para puristas.

> Mar del Plata 2016

Realização Rúl Perrone — Argumento Raúl Perrone — Fotografia Raúl Perrone, Ivan Moscovich — Montagem Raúl Perrone — Som Raúl Perrone — Interpretação Agustina Barach, Carlos Briolotti, Dulce Huilen Ramirez, Guillermo Quinteros— Produção Pablo Ratto, Les envíes que je te desire, Trivial Media.

 

 

 

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SOLAR, Manuel Abramovich

Documentário, 2016, 73’
Dom 2 Julho – 19h Biblioteca de Marvila
6ª f. 7 Julho – 20h Sala 3 Cinema São Jorge

Solar é, de alguma maneira, um filme fracassado, diz o realizador sobre a sua primeira longa-metragem. Provavelmente está certo mas este é, sem dúvida, o ponto forte deste documentário. Flavio Cabobianco publicou, em 1991, o livro Vengo del Sol. Com apenas 10 anos transformou-se num fenómeno mediático New Age ao falar de Deus e do Universo. 20 anos depois, Abramovich propõe fazer um filme sobre a sua vida que, ao longo da rodagem, se vai transformando numa espécie de comédia de enredos involuntária. O protagonista não está de acordo com as ideias do realizador e este, por sua vez, decide acentuar todas as tensões e sublinhar o artifício. O resultado é uma aposta estético-narrativa original tão sagaz quanto trágico-cómica.

> Karlovy Vary 2016

Realização Manuel Abramovich — Argumento Manuel Abramovich, Flavio Cabobianco, Fernando Krapp, Javier Zevallos — Fotografia Manuel Abramovich, Flavio Cabobianco — Montagem Anita Remón — Som Sofía Straface — Interpretação Flavio Cabobianco, Manuel Abramovich, Marcos Cabobianco, Alba Zuccoli de Cabobianco — Produção Manuel Abramovich.

 

 

 

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LAS CALLES, María Aparicio

Documentário, 2016, 81’
Dom 9 Julho – 18h Sala 3 Cinema São Jorge

Esta primeira longa-metragem de María Aparicio recria um projeto levado a cabo por uma professora e respetivos alunos de Puerto Pirâmides, situado na Patagónia costeira. A partir de entrevistas aos habitantes da pequena cidade, organizam uma votação para que sejam os próprios cidadãos a dar nomes às ruas, até esse momento, inominadas. Os atores são os próprios alunos e entrevistados que participaram na realização do projeto e que reconstruíram, com a sua história, a identidade desse lugar. As professoras, atrizes profissionais, conduzem este diálogo entre gerações que parte da linguagem como substância da memória e ferramenta democrática. O olhar e a escuta afinada desta jovem realizadora estimulam suave e inteligentemente os limites entre o documental e o ficcional.

> BAFICI 2016

Realização María Aparicio — Argumento María Aparicio, Nicolás Abello — Fotografia César Aparicio, Santiago Sgarlatta — Montagem Martín Sappia — Som Juan Manuel Yeri, Nicolás Giecco — Interpretação Eva Bianco, Mara Santucho, Gabriel Pérez — Produção Vientosur Cine, Blackmaria.

 

 

 

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